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Como realizar RCP em um cachorro

Como realizar RCP em um cachorro Latidos e Lambidas Blog para Cães

Resumo do Conteúdo: Para realizar RCP em um cachorro, deite-o sobre o lado direito. Para cães médios e grandes, aplique 30 compressões torácicas rápidas e fortes sobre a parte mais larga do peito, seguidas de 2 respirações boca-focinho. Em cães pequenos, use uma mão ou os dedos. Repita este ciclo de 30:2 até o cão respirar ou chegar ao veterinário.

Saber como realizar RCP em um cachorro é, a princípio, uma habilidade que esperamos nunca precisar usar. Contudo, em uma emergência, como um afogamento, choque elétrico ou engasgo, cada segundo conta. A parada cardiorrespiratória (PCR) pode acontecer, e sua ação imediata pode ser a única chance de sobrevivência do seu pet.

Primordialmente, a Reanimação Cardiopulmonar (RCP) em cães é uma manobra de emergência. Ela combina compressões torácicas e respiração artificial para manter o fluxo de sangue oxigenado para o cérebro e outros órgãos vitais. Isso não substitui o veterinário, mas funciona como uma ponte vital.

Portanto, entender o processo correto de como realizar RCP em um cachorro é crucial. O objetivo deste guia é fornecer um passo a passo claro, baseado em diretrizes veterinárias, para que você possa agir com confiança e precisão até que a ajuda profissional esteja disponível.

Como é uma parada cardiorrespiratória em cachorro?

Antes de aprender como realizar RCP em um cachorro, sobretudo, você precisa saber identificar a emergência. Uma parada cardiorrespiratória (PCR) ocorre quando o coração do cão para de bater (parada cardíaca) e ele para de respirar (parada respiratória).

Os sinais são claros e súbitos:

  • Inconsciência: O cão desmaia e não responde a nenhum estímulo (chamados, toques).
  • Ausência de Respiração: O peito não sobe nem desce. Você não sente ar saindo do focinho.
  • Ausência de Pulso: Não há batimentos cardíacos. Você pode tentar sentir o pulso na artéria femoral (parte interna da coxa, perto da virilha) ou colocando a mão sobre o lado esquerdo do peito, atrás do “cotovelo”.

Se você verificar esses três sinais, o tempo é crítico. Você deve iniciar a RCP imediatamente.

Como fazer RCP em cachorro? O guia passo a passo

O procedimento de como realizar RCP em um cachorro segue o padrão “ABC” (Airway, Breathing, Compressions – Vias Aéreas, Respiração, Compressões), mas as compressões são a prioridade. A American Veterinary Medical Association (AVMA) fornece diretrizes que adaptamos neste guia.

1. Verifique a Resposta e as Vias Aéreas

a) Chame o cão pelo nome e toque-o firmemente. Se não houver resposta, ele está inconsciente.

b) Deite o cão sobre o lado direito. O lado esquerdo (onde fica o coração) deve ficar voltado para cima. Puxe a cabeça e o pescoço para trás, esticando-os suavemente para abrir as vias aéreas.

c) Abra a boca e puxe a língua para frente. Verifique visualmente se há algum objeto (brinquedo, osso, comida) obstruindo a garganta. Se houver e for seguro, remova-o.

2. Inicie as Compressões Torácicas (30 Compressões)

A técnica de como realizar RCP em um cachorro varia drasticamente conforme o tamanho dele. O objetivo é comprimir o peito a uma profundidade de 1/3 a 1/2 da sua largura. A velocidade é crucial: você deve mirar de 100 a 120 compressões por minuto (no ritmo da música “Stayin’ Alive”).

  • Para Cães Médios e Grandes (Ex: Golden, Pastor Alemão): Ajoelhe-se atrás das costas do cão. Coloque a palma de uma mão sobre a parte mais larga da caixa torácica. Sobretudo, coloque a outra mão sobre a primeira, entrelaçando os dedos, mantenha os braços retos e use o peso do seu corpo para comprimir.
  • Para Cães de Peito Profundo e Estreito (Ex: Galgo, Dobermann): A técnica é a mesma dos cães grandes, mas você deve comprimir diretamente sobre o coração, que fica mais abaixo, logo atrás do cotovelo.
  • Para Cães Pequenos (Abaixo de 10kg, Ex: Poodle, Pug): Coloque a palma de uma mão sob o peito (apoiando as costas dele) e use os dedos da outra mão (ou apenas o polegar e os dedos de uma mão) para comprimir o peito diretamente sobre o coração.
  • Para Cães “Barris” (Ex: Bulldog, Rottweiler): Estes cães são uma exceção. Pode ser mais eficaz deitá-los de costas (barriga para cima) e fazer as compressões no esterno (o osso no meio do peito), como em humanos.

Faça 30 compressões rápidas e fortes, permitindo que o peito volte à posição normal entre cada uma.

3. Realize a Respiração Boca-Focinho (2 Respirações)

Após as 30 compressões, faça a respiração artificial.

a) Mantenha o pescoço do cão esticado.

b) Feche a boca (focinho) do cão firmemente com as suas mãos.

c) Coloque sua boca sobre o nariz (focinho) do cão, criando uma vedação.

d) Sopre duas vezes, com força suficiente para ver o peito do cão se expandir. Deixe o ar sair passivamente entre as duas sopragens.

4. Repita o Ciclo (30:2)

Continue imediatamente o ciclo de 30 compressões seguidas de 2 respirações.

Não pare de realizar a RCP em seu cachorro até que ele comece a respirar por conta própria, ou até que você chegue à clínica veterinária. Se possível, reveze com outra pessoa a cada 2 minutos, pois o procedimento é extremamente cansativo.

O que fazer após a RCP? A Emergência não acabou

Se a RCP em seu cachorro for bem-sucedida e ele voltar a respirar, a emergência não terminou. A parada cardiorrespiratória quase sempre é causada por um problema subjacente grave (como doença cardíaca, trauma ou intoxicação).

Mesmo que ele pareça “bem”, ele precisa de avaliação veterinária imediata. O risco de uma nova parada é altíssimo nas horas seguintes.

Se a RCP não funcionar, não pare. Continue o procedimento no carro, a caminho do hospital veterinário. Sobretudo, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) reforça que apenas o veterinário possui os equipamentos (como oxigênio, medicações injetáveis e desfibriladores) necessários para o suporte avançado à vida. Sua RCP mantém o sangue circulando, dando ao veterinário uma chance de salvar seu pet.

Conclusão

Em suma, saber como realizar RCP em um cachorro é uma das habilidades mais estressantes, porém vitais, que um tutor pode aprender. A preparação é a chave para transformar o pânico em uma ação que pode salvar uma vida. Lembre-se da sequência: verificar a segurança e as vias aéreas, e então iniciar o ciclo de 30 compressões para 2 respirações.

A técnica correta varia conforme o tamanho do cão, mas a velocidade (100-120 por minuto) e a profundidade (1/3 do peito) são constantes. Contudo, é fundamental entender que a RCP em um cachorro não é uma cura, mas um procedimento de emergência para ganhar tempo.

O transporte imediato para um hospital veterinário, mesmo que o cão retorne, é obrigatório. A verdadeira sobrevivência depende do tratamento da causa base. Esperamos que você nunca precise usar este guia, mas estar preparado é a melhor forma de proteger seu melhor amigo.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Como saber se estou fazendo as compressões forte demais ou de menos?

O objetivo é comprimir o peito em 1/3 ou até 1/2 de sua largura total. É melhor errar por ser um pouco mais forte do que muito fraco. Compressões fracas não bombeiam o sangue. Não se preocupe em quebrar uma costela; a prioridade absoluta é salvar a vida.

Devo fazer RCP se o cachorro engasgou?

Não. Se o cachorro está engasgado (vias aéreas obstruídas), a RCP não vai funcionar. Você deve primeiro tentar a Manobra de Heimlich adaptada para cães. A RCP só é indicada se o cão ficar inconsciente e sem pulso após a obstrução.

Quanto tempo devo continuar a RCP no cachorro?

Continue sem interrupção até que o cão comece a respirar sozinho ou até você chegar à clínica veterinária. Se possível, troque de operador a cada 2 minutos para evitar a fadiga e garantir compressões de qualidade.

A RCP em cães funciona sempre?

Infelizmente, não. A taxa de sucesso da RCP em cães (e gatos) fora do ambiente hospitalar é baixa. No entanto, ela é de 0% se nada for feito, sua tentativa dá ao animal a única chance que ele tem.

Existe algum curso de primeiros socorros para pets?

Sim. Diversas instituições e até mesmo faculdades de veterinária oferecem cursos de primeiros socorros para tutores. Sobretudo, aprender a técnica pessoalmente, usando manequins, é a melhor forma de se preparar.

Carolina Mendes

Carolina Mendes

Carolina Mendes é especialista em cães, dedicada ao comportamento, bem-estar e adestramento positivo. Com anos de experiência, desenvolve conteúdos educativos que ajudam tutores a compreender melhor seus animais de estimação e fortalecer o vínculo com eles. Atua como consultora e criadora de materiais práticos sobre cuidados diários, saúde e treinamento, sempre priorizando respeito e amor pelos pets. Reconhecida por sua abordagem acolhedora, inspira donos de cães a oferecerem qualidade de vida e equilíbrio aos seus companheiros.

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