por: Caroline Mendes
Foto: Canva
A lenda urbana diz que o cão pode "engolir a língua". Isso é fisiologicamente impossível. Tentar abrir a boca do animal durante a crise é um erro gravíssimo que resulta em lacerações profundas nas suas mãos e possíveis fraturas na mandíbula do cão devido à força da mordida involuntária (trismo).
Durante o ataque (fase ictal), o cão perde a consciência e a coordenação. O maior risco de morte não vem da convulsão em si, mas de traumatismos cranianos ao bater a cabeça no chão duro, quinas de móveis ou cair de escadas e sofás.
O cérebro do animal está sofrendo uma descarga elétrica massiva e desordenada. Qualquer estímulo externo — gritos de desespero, luzes fortes, televisão ligada ou toques excessivos — funciona como "combustível" para o cérebro, podendo prolongar a duração do ataque.
percepção de tempo desaparece na adrenalina. É vital cronometrar. Uma convulsão comum dura de 1 a 2 minutos. Se passar de 5 minutos, o cão entra em "Estado de Mal Epiléptico", uma emergência onde os neurônios começam a morrer por superaquecimento e falta de oxigênio, exigindo coma induzido imediato.
Quando os tremores param, o perigo não acabou. O cão acorda temporariamente cego, desorientado e muitas vezes agressivo por medo. Ele não sabe quem você é. Tentar abraçá-lo nessa hora pode resultar em ataques por instinto de defesa.
Libere as vias aéreas externamente. Se o cão usa coleira de pescoço, especialmente se já sofre com traqueia sensível por puxões em passeios, a constrição durante os espasmos pode sufocá-lo.
O que fazer nos 2 minutos? Afaste móveis e proteja a cabeça dele com uma almofada (sem segurar o cão). Apague as luzes e faça silêncio absoluto. Remova a coleira com cuidado extremo se estiver apertada. Cronometre e filme para mostrar ao veterinário. Jamais coloque a mão na boca.