O Conselho Federal de Medicina Veterinária publicou em setembro de 2026 a Resolução nº 1.714, com critérios para o aparo de penas de voo em aves mantidas como companhia. A regra está em vigor desde sua publicação.
Para quem cuida de uma ave, a decisão não deve começar pela tesoura ou por uma oferta de serviço. A indicação exige avaliação e justificativa técnica do médico-veterinário, priorizando a segurança do animal.
A norma distingue situações em que uma restrição parcial e temporária de voo pode ser considerada de motivos de mera conveniência. Também descreve limites de execução, contraindicações e cuidados ambientais que continuam necessários.
O tutor pode decidir sozinho aparar as penas?
Não deve tomar essa decisão sozinho. Pela Resolução CFMV nº 1.714/2026, a avaliação e a prescrição de manejo que limita o voo são competência técnica privativa do médico-veterinário.
A execução deve ser preferencialmente realizada e supervisionada pelo profissional. O texto não transforma o procedimento em rotina para toda ave doméstica: exige justificativa individual, apoiada em sua espécie, estado de saúde e modo de voo.
Antes de contratar qualquer serviço, peça uma consulta para discutir o risco concreto que se pretende reduzir. A pergunta útil é o que foi avaliado na sua ave e quais alternativas de manejo foram consideradas.
Em que situações o aparo pode ser considerado?
Ele pode ser considerado para prevenir fugas acidentais, reduzir colisões em voo ou acidentes e apoiar o manejo inicial de aves em adaptação comportamental. A resolução apresenta possibilidades, não autorização automática para cortar penas diante de qualquer receio.
O CFMV explica que o procedimento não deve ser indicado por estética, facilidade indiscriminada de contenção ou comodidade do responsável. A segurança da ave é a finalidade prioritária da avaliação.
O profissional deve considerar, entre outros pontos, espécie, conformação das asas, idade, massa muscular, condição clínica e estágio de muda. Penas em crescimento e com vascularização exigem identificação técnica, pois não podem ser cortadas.
Quais cortes a regra proíbe?
A regra proíbe corte unilateral, corte radical que comprometa estabilidade e sustentação, e corte de penas ainda vascularizadas. Também veda procedimentos que provoquem dor, sangramento, lesões ou quedas sem controle.
Quando houver indicação, o aparo deve ser leve, conservador, bilateral e funcional. A ave precisa conservar o controle postural e conseguir planar com segurança até o chão; restringir parcialmente o voo não autoriza retirar toda a sua estabilidade.
Esse resumo informa o que perguntar ao profissional, sem oferecer técnica de execução. Tentar reproduzir cortes vistos em vídeos não substitui a avaliação anatômica exigida pela resolução e pode expor a ave a trauma.
Quando o procedimento é contraindicado?
É contraindicado para aves debilitadas, com distúrbios locomotores graves ou em estresse severo. A resolução também exclui aves em reabilitação para soltura e animais destinados à conservação.
Um tutor que percebe fraqueza, alteração de movimento ou comportamento anormal precisa de avaliação clínica antes de discutir qualquer limitação do voo. A condição do animal pode mudar a decisão mesmo quando há preocupação legítima com fugas.
Cortar as penas substitui tela ou ambiente seguro?
Não. A própria resolução diz que o aparo não substitui manejo ambiental adequado, enriquecimento, treinamento, socialização e guarda responsável. O cuidado deve ser compatível com as necessidades biológicas e comportamentais da ave.
Por isso, converse sobre portas, janelas, espaço de voo e situações de colisão no ambiente onde ela vive. Uma medida eletiva não resolve sozinha um local que continua inseguro ou inadequado para a espécie.
Se o procedimento for indicado, pergunte como será acompanhado e registrado. O CFMV determina que suas informações constem no prontuário; essa documentação ajuda a entender a justificativa e o cuidado prestado ao animal.
O aparo é sempre considerado maus-tratos?
Não. A resolução afirma que o aparo, isoladamente, não caracteriza automaticamente maus-tratos; a avaliação depende do conjunto das circunstâncias. Isso tampouco libera cortes por conveniência ou práticas que causem lesão.
Para o tutor, o caminho é discutir indicação, riscos e alternativas com médico-veterinário antes de pagar pelo serviço. O procedimento só faz sentido quando a avaliação individual demonstra benefício à segurança sem desrespeitar os limites de bem-estar da norma.

