Uma pesquisa divulgada pelo CRMV-SP em 3 de novembro de 2026 chamou atenção para a identificação de parasitas intestinais em cães acolhidos por ONGs. O estudo comparou métodos de exame de fezes em um contexto específico de abrigos.
Para quem pensa em adotar, a conclusão prática não é desconfiar de todo cão resgatado. É pedir o histórico sanitário do animal, entender os cuidados já feitos e combinar com o veterinário o acompanhamento depois da chegada.
Parasitas podem afetar o pet e, em alguns casos, também exigem cuidados para proteger outras pessoas e animais. Perguntas simples antes da adoção ajudam a organizar consulta, higiene e convivência nos primeiros dias.
O estudo diz que todo cão de abrigo tem parasitas?
Não. O estudo publicado na Revista MV&Z analisou cães de ONGs em uma realidade localizada e comparou duas técnicas de exame. Seus resultados não estimam a frequência de parasitas em todos os abrigos do Brasil.
O CRMV-SP explica que combinar métodos pode ampliar a detecção, pois cada técnica encontra estruturas parasitárias de modo diferente. A escolha dos exames e a interpretação do resultado cabem ao médico-veterinário.
Um resultado negativo isolado tampouco é certificado universal de ausência de parasitas. Informe à equipe clínica o histórico do cão, qualquer alteração nas fezes e os cuidados anteriores para definir se há necessidade de novas amostras ou avaliação.
Que informações vale pedir antes da adoção?
Peça as datas de avaliação clínica, exames de fezes, vermifugação e controle de pulgas e carrapatos, se realizados. Pergunte se houve diarreia, perda de peso ou tratamento recente e solicite os registros disponíveis para apresentar ao veterinário.
As diretrizes do MMA e do CFMV para abrigos públicos preveem programas de controle de parasitas e exames de rotina, com protocolos definidos pelo responsável técnico. Elas orientam a gestão desses abrigos; não comprovam que cada ONG privada executou exatamente o mesmo cronograma.
Se parte do histórico for desconhecida, isso não precisa encerrar a adoção. Combine um plano de avaliação após a chegada e informe à equipe de acolhimento como entrar em contato caso apareça um problema de saúde nos primeiros dias.
Pergunte também sobre alimentação atual, vacinação e comportamento. Levar informações consistentes à primeira consulta é mais útil do que tentar adivinhar um medicamento a partir de sinais inespecíficos.
O cão precisa ir ao veterinário depois de chegar?
Sim, programe uma consulta para avaliar o novo cão, conferir registros e ajustar prevenção ao seu peso, idade e condição de saúde. O CRMV-SP orienta avaliação profissional e cuidados sanitários ao acolher um animal.
Se houver diarreia persistente, vômitos, apatia ou outro sinal preocupante, comunique o serviço veterinário prontamente. Não trate por conta própria: a causa pode não ser um verme e dose ou produto inadequado pode trazer riscos.
O veterinário pode solicitar exame de fezes e definir se é preciso mais de uma amostra ou método, conforme a suspeita. A pesquisa em ONGs reforça a importância da investigação adequada, sem transformar um teste específico em exigência para todo animal.
Guarde a documentação recebida do abrigo e os resultados novos em um lugar acessível. Esse histórico facilita a continuidade do atendimento e evita repetir tratamentos apenas porque ninguém sabe o que já foi administrado.
Como cuidar da casa e de outros pets na adaptação?
Recolha as fezes rapidamente, higienize o local e lave as mãos após a limpeza. Mantenha água e potes limpos e evite que crianças tenham contato com áreas sujas por fezes. Essas medidas ajudam mesmo quando o cão parece saudável.
Se já há cães ou gatos em casa, conte isso ao veterinário e pergunte como organizar a aproximação. Separe inicialmente objetos e espaços de maneira compatível com a rotina da família, especialmente se o recém-chegado estiver com sintomas.
A adaptação deve ser gradual, com observação do apetite, disposição e fezes. Não atribua toda mudança ao estresse da mudança: sintomas persistentes merecem avaliação, e o tratamento depende do diagnóstico e dos demais animais expostos.
Adotar com informação não significa exigir saúde perfeita de um animal resgatado. Significa conhecer o que foi feito, completar o que faltar com orientação profissional e oferecer uma chegada segura à nova casa.

