Resumo do Conteúdo: Sim, é normal um cachorro ter diarreia quando troca a ração, mas isso geralmente ocorre devido a uma mudança abrupta. O sistema digestivo precisa de tempo para se adaptar. A forma correta de evitar a diarreia é fazer uma transição alimentar gradual, misturando a ração nova à antiga ao longo de 7 a 10 dias.
Aquele pacote novo de ração, comprado com a melhor das intenções, de repente se transforma em um tapete sujo. A princípio, a frustração é imediata. Sobretudo, a pergunta “é normal um cachorro ter diarreia quando troca a ração” é uma das mais comuns e angustiantes para os tutores.
A resposta curta é: sim, é comum, mas não deveria ser. Contudo, essa diarreia raramente significa que a ração nova é de má qualidade. Na vasta maioria dos casos, ela é um sinal claro de que a transição foi feita da forma errada. O sistema digestivo canino é uma máquina de precisão que odeia mudanças súbitas.
Primordialmente, este guia detalha por que isso acontece. Vamos explicar a causa biológica da diarreia na troca de ração, o método correto de transição (o passo a passo de 7 dias) e, o mais importante, quando a diarreia não é normal e exige uma visita ao veterinário.
O que a troca de ração pode causar no cachorro?
Quando um cachorro apresenta diarreia ou vômito após uma mudança de alimento, isso é chamado de indiscrição alimentar ou disbiose. A pergunta “é normal um cachorro ter diarreia quando troca a ração?” tem sua resposta na biologia intestinal.
A flora intestinal (microbiota) do seu cão é um ecossistema complexo, composto por trilhões de bactérias especializadas. Elas se acostumam a digerir as fontes exatas de proteína, gordura e carboidratos da ração antiga.
Quando você troca a ração de forma abrupta, o sistema entra em colapso. As bactérias “antigas” não sabem como processar os novos ingredientes. Isso causa uma fermentação inadequada, acúmulo de gases e uma disbiose (desequilíbrio da flora). O corpo, na tentativa de expulsar o alimento “estranho”, responde com diarreia (muitas vezes osmótica) e vômitos.
Portanto, o que a troca de ração pode causar no cachorro é um distúrbio gastrointestinal agudo, que é puramente mecânico, causado pela velocidade da mudança.
Como Fazer a Transição Alimentar Correta (O Método de 7 Dias)
A diarreia é a principal consequência quando a troca não é gradual. O método correto para como fazer a transição de uma ração para outra é baseado na paciência.
O processo deve durar, no mínimo, 7 dias. Para cães com estômago sensível, filhotes ou cães idosos, o ideal é estender esse período para 10 ou até 14 dias. Você precisará ter em mãos tanto a ração antiga quanto a nova.
O Cronograma Padrão de 7 Dias
Este é o cronograma mais recomendado por veterinários e fabricantes:
Dias 1 e 2: Sirva 75% da ração antiga + 25% da ração nova.
Dias 3 e 4: Sirva 50% da ração antiga + 50% da ração nova.
Dias 5 e 6: Sirva 25% da ração antiga + 75% da ração nova.
Dia 7 em diante: Sirva 100% da ração nova.
Durante todo esse processo, observe as fezes do seu cão. Sobretudo, se as fezes ficarem pastosas em qualquer etapa (ex: no 50/50), dê um passo para trás. Volte à proporção anterior (75/25) por mais dois dias antes de tentar avançar novamente.
Como saber se a ração está fazendo mal ao cachorro?
Esta é a dúvida crucial que responde a “como posso saber se meu cachorro não se adaptou à ração?”. Precisamos diferenciar a “diarreia de transição” (que é culpa do método) da “incompatibilidade” (que é culpa do ingrediente).
Se você fez a transição de 7 dias corretamente e a diarreia parou, ótimo. Mas se, mesmo após a transição, o cão continua com problemas, a ração nova pode estar fazendo mal.
Os sinais de que a ração está fazendo mal ao cachorro (alergia ou sensibilidade) são geralmente crônicos:
Sinais Dermatológicos (Alergia)
A alergia alimentar raramente se manifesta apenas com diarreia. O principal sinal de que a ração está fazendo mal ao cachorro é a pele.
Coceira Intensa (Prurido): O cão se coça sem parar. O foco clássico da alergia alimentar é em patas (lambedura incessante), focinho (esfregar nos móveis), barriga e axilas.
Otite de Repetição: Infecções de ouvido crônicas que sempre voltam, mesmo após o tratamento.
Pelagem Opaca e Queda de Pelo: Um pelo sem brilho, com caspa ou com falhas.
sinais Digestivos Crônicos
Fezes de Má Qualidade: Se, mesmo adaptado, o cão produz fezes muito volumosas, pastosas e com odor extremamente forte, isso indica que a ração tem baixa digestibilidade (ingredientes de “enchimento”, como milho ou soja em excesso).
Gases (Flatulência): Um excesso crônico de gases.
Nesses casos, a ração está fazendo mal ao cachorro não por ser tóxica, mas por conter um ingrediente (geralmente a fonte de proteína, como frango ou carne bovina) ao qual ele é alérgico ou sensível. O Manual Veterinário Merck detalha como as proteínas são os alérgenos mais comuns.
Quando a Diarreia NÃO é Normal
Sim, “é normal um cachorro ter diarreia quando troca a ração”, mas apenas se for uma diarreia leve e passageira durante a transição. Existem sinais de alerta que indicam que a diarreia não é da troca e exige uma visita veterinária imediata.
Sinais de Emergência
Diarreia Persistente: Se a diarreia (mesmo leve) durar mais de 48 horas.
Diarreia Hemorrágica: Presença de sangue vivo ou fezes escuras (sangue digerido).
Sintomas Concomitantes: Se a diarreia vier acompanhada de vômito intratável, apatia, letargia, febre ou dor abdominal (cão encolhido).
Outras Causas a Descartar
A diarreia pode ser apenas uma coincidência infeliz que ocorreu no mesmo período da troca de ração. O veterinário precisa descartar causas infecciosas, especialmente em filhotes:
Parvovirose: Emergência viral fatal em filhotes, causa diarreia com sangue e vômito.
Giárdia: Um protozoário que causa diarreia pastosa e crônica.
Verminoses: Parasitas intestinais.
A AVMA (American Veterinary Medical Association) enfatiza que sintomas gastrointestinais severos nunca devem ser ignorados ou assumidos como sendo “apenas da ração”. Se houver apatia ou vômito, é uma emergência.
Conclusão
Em suma, a resposta para “é normal um cachorro ter diarreia quando troca a ração” é: sim, é uma reação fisiológica comum se a mudança for abrupta. A culpa não é da ração, mas da velocidade da transição.
Contudo, essa diarreia deve ser leve e autolimitante. A sequência correta da transição alimentar (o método gradual de 7 dias) é a única forma de evitar a disbiose intestinal e garantir que a troca seja suave.
Portanto, o que a troca de ração pode causar no cachorro é um desconforto evitável. Se a diarreia for severa, contiver sangue, ou se for acompanhada de vômito ou apatia, esqueça a transição e procure um veterinário imediatamente. E se os sintomas crônicos, como coceira e otite, aparecerem, a ração está fazendo mal ao cachorro, e uma investigação de alergia alimentar é necessária.
Você já teve problemas ao trocar a ração do seu cão? Usou o método de 7 dias? Compartilhe sua experiência nos comentários!
FAQ – Diarreia na Troca de Ração Canina
Sim, é comum, mas geralmente indica que a troca foi abrupta (rápida demais). A diarreia ocorre porque o sistema digestivo (flora intestinal) não teve tempo de se adaptar aos novos ingredientes, causando um desequilíbrio (disbiose).
A transição deve ser gradual, durando no mínimo 7 dias. O método padrão é: Dias 1-2 (75% antiga, 25% nova), Dias 3-4 (50% antiga, 50% nova), Dias 5-6 (25% antiga, 75% nova) e Dia 7 (100% nova). Se as fezes amolecerem, retorne à etapa anterior por mais tempo.
Se, mesmo após a transição gradual, o cão continuar com problemas. Sinais de alergia ou sensibilidade incluem coceira intensa (lamber patas, coçar orelhas), otites (infecção de ouvido) crônicas, gases excessivos e fezes de má qualidade (pastosas, cheiro muito forte).
A diarreia de transição deve ser leve. É uma emergência se a diarreia for severa, durar mais de 48 horas, contiver sangue (vivo ou escuro), ou se for acompanhada de vômito, apatia extrema (letargia), febre ou dor abdominal.
A troca abrupta causa um desequilíbrio na flora intestinal (disbiose). As bactérias do intestino, acostumadas com a ração antiga, não conseguem digerir os novos ingredientes, causando fermentação inadequada, gases e diarreia.

