Resumo do Conteúdo: Quando um cão come as próprias fezes (coprofagia), a ação imediata é consultar um veterinário para descartar causas médicas, como parasitas ou deficiências. O tratamento envolve manejo ambiental (limpeza imediata), uma dieta de alta qualidade e, o mais importante, enriquecimento ambiental (passeios e brinquedos) para combater o tédio e a ansiedade.
Você testemunhou a cena e sentiu o estômago revirar. A princípio, o ato repulsivo de um cachorro comendo cocô levanta a pergunta desesperada: o que fazer quando o cão come as próprias fezes? Sobretudo, é crucial entender que, embora nojento, esse comportamento raramente é “birra”.
Este comportamento, tecnicamente chamado de coprofagia, é um sintoma complexo. Contudo, ele pode sinalizar desde um problema médico grave (como verminose ou má absorção) até um distúrbio comportamental profundo, geralmente tédio ou ansiedade.
Primordialmente, este guia detalha as causas por trás desse hábito. Vamos focar em o que fazer quando o cão come as próprias fezes, abordando o diagnóstico correto e as estratégias de manejo e treinamento para resolver o problema na raiz.
Doença que faz o cachorro comer fezes?
Sim, a coprofagia pode ser um sintoma de uma doença ou condição médica. Por isso, a consulta veterinária é o primeiro passo. Se o seu cão adulto começou a fazer isso “do nada”, uma causa médica é altamente provável.
Causas Médicas e Nutricionais
Parasitas (Vermes): A presença de vermes intestinais rouba os nutrientes do cão. O animal, sentindo-se subnutrido, instintivamente busca “recuperar” esses nutrientes nas fezes.
Má Absorção de Nutrientes: Esta é uma causa médica clássica. Condições como a Insuficiência Pancreática Exócrina (IPE) impedem o cão de digerir gorduras e proteínas. As fezes saem “ricas” em nutrientes não digeridos, tornando-se atraentes.
Dieta de Baixa Qualidade: Rações com baixa digestibilidade, pobres em proteínas e fibras, podem não satisfazer as necessidades nutricionais do cão, levando-o a procurar outras fontes de alimento.
Causas Comportamentais (A Origem Mais Comum)
Se o veterinário descartar causas médicas, o problema é quase sempre comportamental.
Tédio e Ansiedade: Esta é a causa número um em cães urbanos. Um cão que passa o dia todo confinado, sem estímulos, fica entediado e ansioso. Ele “descobre” as fezes como uma forma de interagir com algo, quase como um “brinquedo”.
Punição Incorreta: Este é um erro clássico do tutor. O filhote faz cocô no lugar errado. O tutor grita e esfrega o focinho do cão nas fezes. O cão não aprende que “fazer no tapete é errado”; ele aprende que “defecar na frente do meu dono é perigoso”. No dia seguinte, ele come as fezes o mais rápido possível para “esconder a evidência”.
Busca por Atenção: O cão percebe que, no instante em que ele toca nas fezes, o dono larga tudo e corre na direção dele (mesmo que gritando). Para um cão entediado, atenção negativa ainda é atenção.
Comportamento Instintivo: Cadelas com ninhada comem as fezes dos filhotes para manter o “ninho” limpo. Filhotes podem aprender isso por imitação.
O que fazer para o cachorro parar de comer a própria fezes?
A solução para o que fazer quando o cão come as próprias fezes foca em duas frentes: gerenciamento imediato e tratamento da causa raiz.
Ação Imediata: Gerenciamento do Ambiente
Enquanto você investiga a causa, a regra de ouro é: impedir o acesso. Se o cão não tem acesso às fezes, ele não pode comê-las.
Limpeza Rápida: Este é o manejo mais importante. As fezes devem ser recolhidas imediatamente após a defecação. Isso interrompe o ciclo.
Supervisão Ativa: O cão não pode ficar sozinho no quintal após defecar. Leve-o para fazer as necessidades sempre na guia. Assim que ele terminar, recompense-o com um petisco (reforçando o ato de defecar) e puxe-o gentilmente para o lado enquanto você limpa.
O Erro Crítico: Nunca Puna o Cão
A sua reação ao flagrante é crucial. Gritar, bater ou esfregar o focinho do cão no cocô não resolve, só piora o problema.
Como vimos, a punição gera ansiedade e ensina o cão a comer as fezes mais rápido para escondê-las de você. Mantenha a calma e foque na limpeza.
Como curar coprofagia?
A “cura” da coprofagia depende diretamente da causa. Não existe uma pílula mágica, mas sim um processo de investigação e manejo.
Passo 1: O Diagnóstico Veterinário
A primeira ação de o que fazer quando o cão come as próprias fezes é agendar uma consulta. O veterinário irá:
Solicitar um Exame Parasitológico (Fezes): Para descartar vermes.
Solicitar Exames de Sangue: Para checar a função pancreática (enzimas como amilase e lipase) e níveis nutricionais.
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) reforça que o diagnóstico diferencial é essencial, pois o tratamento de uma coprofagia comportamental é inútil se a causa for médica.
Passo 2: Ajuste da Dieta e Suplementação
Se a causa for nutricional, o veterinário irá recomendar uma ração de alta qualidade (super premium), com alta digestibilidade e teores adequados de fibra.
Existem também produtos (suplementos) que podem ser adicionados à comida para alterar o odor e o sabor das fezes, tornando-as repulsivas.
Contudo, o Manual Veterinário Merck (uma autoridade global) nota que a eficácia desses produtos é mista e eles nunca devem ser a única solução.
Passo 3: Enriquecimento Ambiental (O Antídoto do Tédio)
Esta é a cura real para a coprofagia comportamental. O tédio é o inimigo. Seu cão precisa de um “trabalho”.
Gaste Energia Física: Aumente os passeios. Um cão cansado é um cão que descansa.
Gaste Energia Mental: Abandone o pote de comida. Sirva as refeições em brinquedos recheáveis (como o Kong) ou tapetes de “fuçar” (sniffing mats). O ato de farejar e “caçar” a comida é extremamente relaxante e satisfatório, reduzindo a ansiedade que leva à coprofagia.
Quando o cão tem coisas mais interessantes para fazer, as fezes perdem seu “apelo” como distração.
Conclusão
Em suma, a resposta para o que fazer quando o cão come as próprias fezes é tratar o ato como um sintoma, não como uma “falta de vergonha”. A coprofagia é um grito de ajuda, sinalizando que algo está errado, seja no corpo (doença, parasitas) ou na mente (tédio, ansiedade).
A princípio, a ação inegociável é a visita ao veterinário para descartar causas médicas. Contudo, a solução de longo prazo, na maioria dos casos, está no manejo do tutor. A limpeza imediata impede o ato, e o enriquecimento ambiental (passeios e brinquedos interativos) trata a causa comportamental.
Portanto, nunca puna seu cão por isso; pelo contrário, investigue a causa. Em seguida, aumente os passeios, troque o pote de comida por um Kong e supervisione as idas ao “banheiro”. Afinal, com paciência e a estratégia correta, é perfeitamente possível eliminar esse hábito repulsivo e restaurar a saúde e o bem-estar do seu pet.
Seu cão já teve esse comportamento? Com isso, qual estratégia funcionou para você? Além disso, compartilhe sua experiência nos comentários!
FAQ – O Que Fazer Quando o Cão Come Fezes (Coprofagia)
É o termo técnico para o comportamento em que o cão come as próprias fezes ou as de outros animais. É importante entender que isso não é “birra” ou “mau comportamento”, mas sim um sintoma de que algo está errado, seja por causas médicas ou comportamentais.
As causas podem ser médicas ou comportamentais. Causas médicas incluem parasitas (vermes), má absorção de nutrientes (como na Insuficiência Pancreática Exócrina) ou uma dieta pobre. As causas comportamentais, mais comuns, são tédio, ansiedade, busca por atenção ou uma reação à punição incorreta (o cão come para “esconder a evidência”).
A primeira ação é agendar uma consulta veterinária para descartar causas médicas (como vermes ou problemas digestivos) através de exames. A ação imediata em casa é o manejo: supervisione o cão e limpe as fezes imediatamente após ele defecar, impedindo o acesso.
Não, nunca. A punição (gritar, esfregar o focinho) é a pior reação. O cão não entende a punição; ele aprende que “defecar é perigoso” e passa a comer as fezes mais rápido para “esconder a evidência” de você, agravando o problema e a ansiedade.
O tratamento foca em enriquecimento ambiental. É preciso gastar a energia física (passeios longos) e mental (brinquedos recheáveis como Kongs, tapetes de faro). Servir a comida em brinquedos, em vez de potes, dá ao cão um “trabalho” e um propósito, reduzindo o tédio que leva à coprofagia.

