Uma regra brasileira sobre contaminantes em rações para cães e gatos passou a valer em julho de 2026. Ela estabelece limites específicos para micotoxinas, substâncias produzidas por determinados fungos.
Para quem compra alimento industrializado para o pet, a informação é útil porque reforça a importância de procedência, conservação e identificação do lote. Não quer dizer que todas as rações à venda estejam contaminadas.
O Ministério da Agricultura publicou os limites em 2025, com entrada em vigor em 1º de julho deste ano. A norma se dirige principalmente à cadeia de produção e ao controle de qualidade dos alimentos.
O que mudou nas regras para a ração de cães e gatos?
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Portaria SDA/Mapa nº 1.412/2025 definiu um limite de 10 microgramas por quilo para aflatoxina B1 e de 20 microgramas por quilo para aflatoxinas totais.
Esses números são parâmetros para avaliação laboratorial dos produtos. O tutor não tem como identificar a presença dessas substâncias apenas olhando os grãos, cheirando o saco ou verificando a cor do alimento.
Micotoxinas aparecem apenas em ração vencida?
Não. Certos fungos podem produzir toxinas em matérias-primas e alimentos quando encontram condições favoráveis, como umidade e temperatura inadequadas. Mesmo após o processamento, não é seguro presumir ausência de contaminação sem controle técnico.
Isso não significa que qualquer saco aberto por alguns dias se tornou perigoso. O objetivo é reduzir riscos por meio de fabricação responsável, armazenamento adequado, transporte e fiscalização, e não criar medo indiscriminado de produtos regularizados.
O que observar antes de comprar um pacote?
Como já mostramos em nosso guia sobre rótulos de ração, escolha embalagens íntegras, com identificação do fabricante, prazo de validade e número do lote legíveis. Prefira estabelecimentos que armazenem os sacos longe de infiltrações, calor excessivo e contato direto com superfícies úmidas.
Desconfie de ofertas em embalagens rasgadas, sem informações de origem ou vendidas soltas sem rastreabilidade. Guardar uma foto do lote e da nota fiscal facilita a comunicação com a empresa se surgir uma suspeita.
Como guardar ração aberta dentro de casa?
Feche bem a embalagem original depois de servir e mantenha o alimento em lugar fresco, limpo e seco. Se utilizar um recipiente, prefira conservar a ração dentro do saco original, desde que caiba adequadamente.
Lave e seque o pote de armazenamento ao trocar de lote, evitando misturar alimento novo ao restante antigo. Umidade persistente ou odor estranho justificam interromper o uso e procurar orientação, sem tentar recuperar grãos suspeitos.
Quais sinais no animal merecem atenção?
Vômitos, recusa alimentar, apatia ou alterações gastrointestinais podem ter muitas causas e não confirmam, isoladamente, intoxicação por micotoxinas. Um diagnóstico depende do histórico clínico e da avaliação de um médico-veterinário.
Se mais de um animal apresentar sintomas após comer o mesmo lote, informe essa circunstância ao profissional e preserve embalagem e comprovante de compra. Não ofereça medicamentos humanos nem provoque vômito por conta própria.
A nova norma exige que o tutor faça algum teste?
Não. A portaria define requisitos para os alimentos e para os controles adotados pelos responsáveis pela produção. As análises precisam seguir métodos validados, tarefa que não pode ser substituída por testes caseiros encontrados em redes sociais.
O consumidor pode exigir informações do fabricante e utilizar canais de atendimento e fiscalização quando houver suspeita fundamentada. A identificação do lote é essencial para investigar eventuais problemas e evitar generalizações sobre uma marca inteira.
O que fazer se encontrar ração com mofo ou alteração?
Suspenda o fornecimento daquele alimento, separe a embalagem e entre em contato com o atendimento da fabricante ou com o estabelecimento onde comprou. Se o animal estiver doente, procure assistência veterinária sem esperar resposta comercial.
A medida mais valiosa no dia a dia é combinar procedência, armazenamento cuidadoso e atenção aos sinais do pet. A nova regra dá respaldo técnico a esse cuidado, mas não elimina a necessidade de observação responsável.

